sexta-feira, 1 de julho de 2011

Camané - Ciúmes da Saudade




Fim do dia em beleza.


Depois de ginasticar, de um excelente jantar, rumar à Alameda D. Afonso Henriques para assistir ao fim das festas de Lisboa.


Confessa-se desde já que, apesar de lisboeta, o fado não é uma paixão, mas apenas o Camané!

Como não gostar daquele ar simples, não pretensioso, com que canta o fado?

De ar normal, com pouco esforço na voz, como se nos desse um simples bom dia, timidamente.


Falhou em apenas cantar umas meras quatro músicas e nem todas das preferidas (culpa da organização, claro!).


Arrancou alguns suspiros, mas trouxe memórias e foi ver-nos, cantando, lisboetas, de olho fechado e mão no bolso!!

Saldo final: encerramento das festas bem organizado, Camané com pouco tempo de antena, substituído pelo Carlos do Carmo (de quem não se gosta de todo) e que, com postura totalmente oposta, nos "ensinou": nunca se acompanha um fado com palmas, isso é para as marchas ou a música ligeira!! Pfff...

Aqui fica a letra da primeira música cantada pelo Camané, com palmas, por favor!!


Se não matas a saudade
Quando morres de vontade
De pôr à saudade fim
É talvez porque preferes
Ter da saudade o que queres
E não me pedes a mim

A saudade em que me deixas
É penhor das tuas queixas
Por não dizeres a verdade
Bastava que me pedisses
De cada vez que me visses
O que pedes à saudade

O que dás, se me não vês,
Não consigo que me dês
Por timidez ou vaidade
E a saudade que vais tendo
Com ela vives, morrendo
P'ra me matares de saudade

Talvez seja o que tu queres
E é por isso que preferes
A saudade em vez de mim
Morrendo os dois de saudade
Temos toda a eternidade
P'ra pôr à saudade fim

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Almoço no Jardim do Goethe





O Goethe Institut fica muito bem situado. Num dos locais da cidade que eu mais gosto, cheio de animais, de vida, de histórias dignas de filme: no Campo Mártires da Pátria, ao lado da embaixada alemã.



Hoje fez-se uma caminhada debaixo do sol de Verão: no total 1 hora para cá e para lá, para se ir matar saudades e, finalmente, aproveitar o jardim do Goethe.

A escolha (difícil) recaiu sobre mais um dos petiscos feitos pela nova (e excelente) gerência do bar: "Tabule" ou "Tabbouleh" (salada arábica, diz a Internet!), acompanhada de um sumo de frutos vermelhos e, para terminar, um bolinho de cenoura e chocolate.



A dificuldade foi mesmo a escolha.

Foi uma excelente opção, o jardim foi todo arranjado e já tem, até, redes que convidam ao descanso.


Não fosse dia de trabalho e tinha preparado o regresso, também em passo acelerado, com uma sesta numa rede verde, à sombra, com vista sobre a cidade de Lisboa.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Acredito em milagres!



A imaginação e o tempo não são muitos, por isso aqui fica, apenas, o pensamento (e o som) do dia...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

chega de saudade!


Nas Beiras matam-se saudades... muitas saudades! Mas ganham-se outras...
Dorme-se, come-se, revê-se a família e a infância e sorri-se às histórias contadas tantas vezes!
Tondela, a minha infância que deixa saudades e deixará sempre, mesmo que regresse de tempos a tempos!
Um excelente fim-de-semana, em que o ipod, nas viagens de comboio, como antigamente, nos deixa músicas de outros tempos e, no regresso, já em breve a Lisboa, nos faz cantarolar:
"Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer..."

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Rua dos Correeiros




Lisboa é linda (como a Bica, repita-se) e hoje, por incrível que pareça fui a uma rua, em plena cidade, que nunca tinha ido: Rua dos Correeiros!



Escondida entre a da Prata e a Augusta, é turística quanto baste.



Oferecem-nos lugar para almoçar a cada minuto e vemos que muitos estrangeiros já se renderam. Tem um restaurante em cada porta, uma loja fechada em cada metro.



O restaurante "tipicamente português" tem empregados que não o falam, há chineses que comem caracóis e todos ouvem uma banda, em que, nem o aspecto, nem sequer a música, eram portuguesas.



A Baixa Lisboeta é assim, adoro ver estes aparentes contrassensos, esta mistura de mundos e contemplar aqueles prédios da Baixa. Cá em baixo, apetece-me subir àqueles prédios que devem ter vista de rio, subir as escadas de madeira, cheirar as muitas centenas de história. Dá-me vontade de comprar naquelas lojas, alguma coisa de que não preciso, mas que tanta gente já precisou.



Apetece-me pegar num pincel e pintar aqueles prédios, que aos turistas devem parecer "pitorescos" e a mim me parecem tristes. Cheios de pessoas antigas, muitas sozinhas, lojas onde ninguém já vai. Caras dignas de retratos, lojas do antigamente.



A rua dos Correeiros é apenas mais uma, digna de retrato, do antigamente.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Bica é linda!





Ié ié, a Bica é que é! Este podia ser o lema do fim-de-semana.

Tão cheio, tão agitado, que no Domingo pouco sobrou de energia!


Sexta jantar calmo, sangria deliciosa (com pepino!!) na esplanada do Torel e depois saltinho ao Lounge, para conversas e pouco mais.


Sábado: com o único objectivo de ir ao Chiado (quantas pessoas terão dito isso?) passou-se pelo pic-nic Tony Carreira!


A pé desde o Campo Pequeno, passou-se (por mero acaso, claro!) pela Av. da Liberdade e viu-se a fauna (muito variada, sempre colorida, com t-shirts alusivas) que foi ver os animais e as plantas "made in Portugal"!


Alguns kms depois, descanso das pernas na esplanada do Largo Camões e regresso a casa (a pé já só metade do caminho!).


Fim da tarde: já preparadas para tudo, voltar à Av. da Liberdade: ouvir três canções do Tony (quase derramar a lagrimita), vê-lo mesmo ali, dançar e fugir das câmaras!


A cantar a música do Tony, nova caminhada até Alfama (sardinhas algo secas, sangria com sabor a sumo) e, duas horas depois, rumo à Bica! A pé de novo, porque não?


Pelo caminho, nada mais nada menos que 5 arraiais! Todos diferentes, todos com direito a um pézinho de dança!


O primeiro tinha como tema, claramente, a aldeia (bigodes em meninos e meninas!).


O segundo: a cidade no seu melhor, com ritmo brasileiro (toda a gente tinha problemas nos dentes e muito brinco!).


O terceiro: ritmos africanos (kuduro ou kizomba!).


O quarto: internacional, com tons de tango (mas só de dançava no palco!).


Ponto de situação até ali: a subir de qualidade a descer de interesse!


Chegadas à Bica: numas escadas minúsculas, novo arraial e este tinha um pouco de tudo! Muita cantoria e alguma dança! O tema não se sabe, mas era bom e bonito!


Mas, heis se não quando, mais uns metros à frente, se encontrou o lugar perfeito! Mesmo o que se queria!


O sexto arraial: mesmo em frente a um clube do bairro, com a música perfeita de Santos Populares (desde pimba, a brasileira, passando pela portuguesas e a americana!) e um animador do alto da janela que ditava coreografias. Nada faltou! Dançou-se em comboio, não se recusou risos a estranhos e bebeu-se (alguma) cerveja.


Para finalmente descansar, sentar numas escadas, ao lado do eléctrico e apreciar as vistas!


Ver que se pode cortar o cabelo à 1 da manhã, que na Australia os cangurus matam mais que os tubarões e descrever a nossa cidade como a mais linda de todas!


E porque a noite era uma criança: dar uma chapada nos Santos Populares e acabar no Lux! Ver o terraço, gabar a maravilhosa cidade de Lisboa e treinar o inglês!


E assim se impõe, ainda hoje (48 horas depois) gritar: Ié Ié, a Bica é que é!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Liberdade




Quando se gosta, gosta muito.




E gosto muito dos novos quiosques da Av. da Liberdade. Adoro estar na artéria mais movimentada da cidade, ver os carros passar e, ao fim do dia, beber uma caipirinha ou uma cerveja.




Adoro estar bem acompanhada, ser atendida pelos empregados simpáticos e provar mais uma vez "o melhor bolo de chocolate do mundo".




Pequenas coisas da cidade, como estas, dão prazer a todos os lisboetas, que gostam, como eu, do Rossio, da Baixa, do Chiado e de tantas partes da cidade.




Este fim-de-semana vai-se comemorar os Santos Populares, "adiados" pela visita aos "Allgarves", onde se mergulhou em àguas claras, se comeu bolas de Berlim e se festejou os Santos com sardinha, sangria mas nenhuma música lisboeta!




Alfama, Graça, Bica? Quem sabe!?




Mas este fim-de-semana não nos escapa!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Devia era ter dormido mais ...




Devia ter dormido mais, muito mais.


A sexta-feira foi o começo: Bica, Bairro Alto e Lounge. Muita conversa, muita confidência, (muito) vinho verde e nenhum sono no dia seguinte!



Sábado, quatro meras horas depois de ir para a cama: olhos bem abertos e nada de sono!


Café pela zona do costume e coragem para ir cortar o cabelo! O carro, há já muito não conduzido, passeou pelas ruas da Baixa, pela Av. Vinte e Quatro de Julho, olhos nos turistas e um sol radiante.


O local: Motor Hairport: coragem, que há que mudar de ar.


Depois de se repetir até à exaustão a profissão, pedir contenção, saiu-se de lá de novo look! Com direito a reportagem fotográfica (pedida pela cabeleireira, claro!) e depois uma molha como há muito não se apanhava!


Chegar a casa, secar o que sobrava do penteado e desejar uma sesta! Mas ainda assim: nada de sono! Leituras, filmes e sondagens.


Passadas umas meras horas: jantar, cinema e pipocas! (As Amoreiras são ideal, pouco gente, preço acessível e cadeiras confortáveis).


Filme dificilmente escolhido: "A minha versão do amor", era suposto ser light, era o objectivo... mas não! Nada disso, o drama, as vidas desperdiçadas, e tanto que se lá queria meter e não coube! Ficou visto, mas não ficou recomendado. Mas mesmo assim não deu sono!


Visto que a excelente companhia (e mãe do bebé mais lindo do mundo!) também queria aproveitar mais a noite, fomos as duas às esplanadas da Av. da Liberdade. Problema: música boa, sim, mas não tão alta! Mesmo que a cerveja seja a € 1,5, mesmo que a noite seja de Verão, eu queria falar e a prima (parecia que) queria ouvir!


Uma hora e meia depois, o cansado fez-se finalmente sentir - a música ajudou - e já no início de Domingo chegou-se a casa, para finalmente dormir!


Manhã seguinte, ainda nem horas de se beber café eram e os olhos já estavam abertos!


Dia de eleições, dia de decisões, ao menos começa-se cedo! Assim foi: passeio até à Junta de Freguesia da Pena e votar em consciência.


Ainda sem se imaginar os resultados (não se comentam, não vale a pena!), era necessário arejar as ideias a seguir ao almoço! Passeio à beira rio, kms e kms de passos, conversas e mais conversas (não, nunca chega!) e, chegada a casa, 2 horas depois, e ainda sobrou tempo de nos prepararmos para o fim daquele dia que mudou (?) o país!


E ainda assim, mesmo dado os resultados, nada de sono, apesar de vitórias cinzentas e discursos chatos!


Saldo final: devia ter mesmo dormido mais, devia ter ido dormir às 8 da noite, só hoje devia estar de olhos bem abertos para esta nova realidade.



domingo, 29 de maio de 2011

Um domingo como outro qualquer



Domingo em clima tropical, calor, chuva, sol e nuvens.
Uma família sai sozinha, apenas 4, como há anos não acontecia e vai, simplesmente, passear por Lisboa.

Almoço no restaurante "Sea Me". Nada desilude, nada enjoa, tudo pede repetição. Desde o choco frito com tinta, às pataniscas ninja, às vieiras com molho de manga...! Vinho branco fresco e ambiente confortável, moderno, mas português ao mesmo tempo! (e o preço não incomoda muito a crise!)

Saídos dali, descida até à gelataria Santani para terminar o almoço com um gelado como sobremesa. 4 gelados todos diferentes, qual deles o melhor? (constataçã: limão e chocolate não é melhor que morango e chocolate!)

Porque ninguém queria parar, subida até ao Largo do Carmo, espreitadela até ao elevador de Santa Justa e depois visita ao Quartel do Carmo.

100 anos de GNR deram direito a um passeio pela história, com direito a ver a cadeira onde Marcelo Caetano "esperou" no dia 25 de Abril de 1974 e uma excelente vista sobre o Rossio.


Como ainda não chegava de passeio, continuação pelo Chiado, subida a Calçada do Combro e, com todos já mais cansados (pelo menos uma), chegada ao miradouro do Adamastor. Conversas à sombra, num banco com vista para o rio, até que o vento fez desistir.

Porque a companhia continuava a apetecer, passeio de carro pela marginal, com vista para o mar, sem rádio, só conversa e, passado uns minutos, direito a uma sesta, encostada no banco do carro, à moda antiga, só acordada mesmo à porta casa. (Se fosse uns anos antes, daria direito a ser levada ao colo!)

Domingo tranquilo, companhia ideal, vistas perfeitas e fim de dia retemperador... como tanto (ainda) se precisa!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dois filmes - árvores e cegueiras


A Árvore da vida e o Ensaio sobre a cegueira. Dois filmes muito esperados, finalmente vistos.


Falando do primeiro: demasiado lírico, poético... parado, porque não admitir!


O que lhe quiserem chamar, é escolher!


Ante-estreia cheia de famosos. Cinemateca com a esplanada mesmo a saber bem, cerveja fresca, uma bela tosta e a ânsia pelo filme.

Brad Pitt e Sean Penn, só eles seriam motivo bastante para ali estar.
Mas desenganem-se os que acham que os dois excelentes actores chegam para nos manter acordados, animados...



Findo o filme - numa sala excelente e a um preço fantástico de €2,5 - não houve posição unânime sobre o tema.


De que trata? Famílias, Deus, perda, morte? Tem momentos muito bonitos, imagens que fazem quase suspirar, mas usa e abusa do abstracto, deixando a cada um de nós demasiadas dúvidas, demasiado para divagar... talvez seja esse o objectivo.


Cada um de nós lida de forma diferente com a família e a perda. Cada um encontra as suas soluções. Talvez. Fica a divagação, ficam as imagens bonitas e o não saber, ainda, se se gostou ou não.

Ensaio sobre a cegueira.


Começando de pé atrás: livro demasiado apreciado, seria o filme minimamente justo?


Sabendo que o José Saramago chorou no fim, seria, à partida, um bom prognóstico.


Não desiludiu.


O livro foi lido há mais de 10 anos e a cada novo desenrolar as imagens do livro apareciam.


Os actores sem nada a apontar, a violência lá, explícita, mas claramente inferior à criada pela imaginação (com direito, na altura, a pesadelos!).


Mas quando o filme acaba, quando todo o caos amaina, assentimos naquilo: que não vemos as coisas, que nunca abrimos bem os olhos.


E como por lá se diz:
"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."






sexta-feira, 20 de maio de 2011

O amor é um lugar estranho



Porque o amor é um lugar estranho... vi o Lost in Translation.

Chegada a casa com uma dor de cabeça que teimava em não desaparecer, há que animar a alma e ver coisas bonitas. Revisto anos depois, deixa, no fim, um sorriso na boca, nem que seja por esta afirmação "tão simples":


Charlotte: I just don't know what I'm supposed to be.
Bob: You'll figure that out. The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you.


Espero mesmo que sim!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Chuva de fim de tarde



Ontem choveu. Trovejou.


Saída de um destes escritórios da capital, de uma sala quente e cheia de papel, pus o pé na rua e as pingas passaram de leves a grossas.


Em clima tropical, não se fugiu à chuva e era ver lisboetas que não fugiam, nem corriam, outros até sorriam e todos se deixavam quase ali ficar, não apressando o passo, a sentir as gotas na cara, na roupa, nos braços destapados.


No meio do jardim do Campo Pequeno, cheirava a campo, a relva molhada e uma mulher, com menos roupa que eu, cruzou-se comigo e sorriu-me. Cumplice. Retribuí.


Apeteceu-me ainda demorar mais, andar ainda mais devagar.


Olhei em volta e vi que ninguém se parecia sequer importar, não havia chapéus abertos, apenas gente de calções, saias e até sandálias, que caminhava à chuva, cada vez mais grossa.


Não, não fui à Avenida da Liberdade, não tomei nada fresco.


A frescura veio daquele fim de tarde, que se tornou uma noite de tempestade, nesta cidade de Lisboa, mas que trouxe, pelo menos a uma lisboeta, uma sensação que há muito não sentia.


domingo, 15 de maio de 2011

A lisboeta anda...




Vivo no meio desta cidade. Saio aos meus e ando (e ando e ando e ...) para arejar a cabeça, para ver a cidade, para fazer exercício!

Vou a pé para todo o lado e resisto, todos os dias, a meter-me no metro, a pegar no carro ou a pedir boleia.

Agora que o sol espreita (e queima), ganha-se coragem para vestir, por vezes, um vestido e, simplesmente, sair e andar.


Esta lisboeta aproveita e vai destas "avenidas novas" até à feira do livro, onde se arrisca a comer uma fartura como jantar, passeia na Avenida de Roma, de ipod nos ouvidos, e se vê as montras, os cães e os raros lisboetas que preferem as ruas ao centro comercial.


E após uma caminhada, janta por ali perto, bebe café numa esplanada onde já a conhecem e promete voltar no dia seguinte.

Viver no centro da cidade é isto. É haver recantos que são cosmopolitas, mas que, com os dias, as horas, os passeios se tornam um pequeno lugar, uma pequena comunidade e nos fazem sentir quase em casa.

E quando a vontade nos faz (ou precisamos de) ir mais longe, apanha-se mesmo o metro e segue-se, rua fora, até onde ele não chega.

Vai-se, por exemplo, pela Rua dos Caminhos de Ferro até ao Clube Ferroviário, onde se pode jantar ou lanchar, com vista para a outra margem (mas não beber café a seguir ao almoço, já que fecha) ou, se ali não der, a uma esplanada, mesmo ali perto, na bica do sapato: deli delux.


E com vista para o rio, com vista para coisas bonitas, recupera-se da caminhada, bebe-se uma cerveja (ou duas, ou três) e aprecia-se, bem acompanhada, mais um recanto lisboeta.

E agora, findo mais um dia num escritório de uma avenida lisboeta lisboeta, vai aceitar-se uma excelente sugestão e ir à Avenida da Liberdade, ver os novos quiosques e beber qualquer coisa fresca!

A decisão que agora resta é apenas uma: vamos a pé ou não!?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Acordar



Ontem, numa sala em tons de vermelho, mesmo no centro desta nossa cidade, uma lisboeta (re)aprendeu que se pode partir de algo que alguém já escreveu, pintou ou disse para se inspirar.
A escrita criativa pode se isso mesmo, aprender com o que se vive ou viveu, mas também com os outros. Escrever porque se aprendeu com alguém.

Aqui fica um poema que uma lisboeta gostava de ter escrito, porque reflecte exactamente o que sente e que a inspira muito.

Acordar
Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da Rua do Ouro,
Acordar do Rocio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.

Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
Seja

A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...

Deita-me as mancheias,
Por cima da alma,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Chego às janelas
Dos palácios arruinados
E cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.

Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Num bar de esquina...





O Cockpit é um pequeno bar de esquina, na Av. Sacadura Cabral, daqueles em que o dono e os empregados já nos conhecem e nos dizem "olá, tudo bem!?" e ainda só lá fomos umas 4 ou 5 vezes.




É um bar em que se pode ficar cá fora, na pequena esplanada, num ambiente sossegado, como quem não quer a coisa, numa avenida lisboeta e acompanhar as cervejas e as excelentes caipirinhas com tremoços e amendoins.



Mesmo perto da janela onde o durmo, mesmo a 20 metros da porta onde agora entro e saio todos os dias, tenho um bar onde posso simplesmente sentar-me, beber um copo de vinho, estar na esplanada e pôr a conversa em dia.




E mesmo que já vá algo trôpega para casa - dado o adiantado da hora, apenas, ou da companhia que nos baralha com as ideias extraordinárias - basta seguir seguir em frente e estou, 2 minutos depois, já em casa!




É por isso que é bom viver num bairro lisboeta, cosmopolita, daqueles em que há mercearias, minimercados, lojas de brincos (giríssimos) e um bar (simples, normal) em que a companhia faz toda a diferença!



sexta-feira, 22 de abril de 2011

pequeno fiapo ao som de uma harmónica...



Acordar, ouvir a chuva a bater na janela, e ao mesmo tempo o som da infância: o amolador de facas, que arranja chapéus de chuva e tesouras.


Lembranças da infância, em que se entregavam as coisas lá de casa para arranjar, em que não se comprava tudo feito ou novo. Em que, em pleno 7.º andar na Avenida 5 de Outubro, se ouvia o som de uma harmónica, que pedia: dêem-me as vossas antigas peças quotidianas, de todos os dias, usadas, familiares, não as deitem fora, eu arranjo-as.


A nostalgia percorre as avenidas novas da grande capital, em especial percorre uma lisboeta que tem esta memória de há duas décadas... e que hoje, de repente, a recuperou com um simples som.


Num dia em que sabe que, algures, alguém gostava que houvesse um amolador que pudesse recuperar uma peça antiga, que a pudesse pôr de novo a funcionar, uma lisboeta senta-se em frente a um computador e recorda bons tempos, ou simplesmente antigos.


Desejando que para tudo na vida pudesse ouvir-se, ao longe, o som de um amolador, a quem se entregasse algo antigo que se quisesse recuperar, não perder e guardar para sempre.





quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tolerância de ponto!




Manhã de "tolerância de ponto" e acordar, mesmo assim, quase à hora de ir trabalhar, ao som de uma Lisboa chuvosa.

Decidida a não ficar na preguiça e como o tempo não pede passeios, vai colmatar-se outra falha cultural: ver um filme!

Esta manhã escolheu-se o "Into The Wild", convencida que a inspiração viria acompanhada pela excelente banda sonora (do Eddie Vedder, claro!).

Mas desenganem-se os que ainda não o viram... não é filme para animar, não é filme para ver numa manhã chuvosa... se o objectivo for de animar!

Lá veio a lagriminha teimosa no fim (está a tornar-se um hábito!) e a sensação agri-doce de que se gostou, mas que custou muito a ver...

Ainda sem saber o quanto se gostou, fica a frase mais bonita:

"A felicidade só é real quando partilhada".

(ps. acrescenta-se que o filme foi visto sozinha... daí a lagriminha, quiçá??)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fim-de-semana à sacana sem lei!



Mais uma pérola que estava em falta no meu CV!

Depois de um dia passado entre o ioga e a praia de S. João (ligeiramente quente demais e que deu direito a um belo "escaldão"!), e após umas manobras fantásticas de mudar de condutora em plena fila de trânsito (será legal?), passaram-se as horas seguintes a ver os "Sacanas sem lei"!


Não sem antes, ainda na praia, tentar beber coca-cola com tremoços e ter que pedir como favor especial, porque - como toda a gente sabe - "tremoços só com cerveja!"... óbvio! Agradeceu-se o favor especial, que remédio!!


Já em casa: só mesmo um filme à Tarantino para vencer o cansaço, as costas queimadas e as pernas doridas dos mergulhos em água gelada! Só mesmo o Brad Pitt e a sua maravilhosa pronúncia italiana! E o Cristoph Waltz, o nazi mais nazi de todos os tempos e mesmo assim o mais espectacular de todos!? Quase nem fechei os olhos nas partes das tripas!

Excelente!


Dia seguinte, o fim-de-semana "continuou calmo", com a temperatura a descer um pouco (nada parecido com o dia de inverno que está hoje!) e depois de se matar umas saudades bem merecidas, foi-se ao Bairro Alto, vazio num dia de domingo (cometer contra-ordenações e conduzir em sentido contrário!!) e beber mojitos e caipirinhas! Comer pipocas e cantar (baixinho) músicas jazz... Acabar a jantar num italiano e ainda chegar a casa a tempo de deitar cedo e repôr o sono!


Que excelente fim-de-semana!


Para o próximo fim-de-semana espera-se continuar a "fugir à lei"!?

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Arranja-te é fim-de-semana!!





Acordar para mais uma sexta-feira em Lisboa!
Espera-se fim-de-semana preenchido:
Ioga (no Museu do Oriente, logo às 1o e meia ), seguido de praia (na Costa da Caparica, S. João), eventualmente cinema (talvez no King: "Road to Nowhere"), dança no Domingo (Roda de Choro, no Clube Lusitano) e passeio na memory lane (noite de pipocas e filmes da adolescência)!


Enquanto se procura a versão brasileira da "pequena sereia", aqui fica uma musiquinha da melhor banda de sempre (no mínimo!) para animar esta tarde de um dia que se espera continue soalheiro e ameno.

E continuando a fomentar o "karaoke" por esses locais de trabalhos fora (agora é singstar, certo?), aqui fica a letra (sem alguns yeahs, admito!)!

Cá vai, para toda a gente cantar!


When something's dark, let me shed a little light on it


If something's cold, I want to put a little fire on it


If something's old, I want to put a little shine on it


If something's gone, I want to fight to get it back again


When something's broke, I want to put a little fixin' on it


If something's bored, I want to put a little exciting on it


When something's low, I want to put a little high on it


If something's lost, I want to fight to get it back again


When signals cross, I want to put a little straight on it


If there's no love, I want to try to love again


I'll say your prayers, I'll take your side


I'll find us a way to make light


I'll dig your grave, we'll dance and sing


What's saved could be one last lifetime


Yeah, yeah, yeah, yeah, fight to get it back again


Yeah, yeah, hey, yeah, yeah, fight to get it back again


Yeah, yeah, yeah, fight to get it back again

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ZECA SEMPRE O que faz falta teledisco



Em tempos em que não se fala de nada mais, em que todos temos (não só o credo) mas a crise na boca, o que faz é animar a malta!


A tarde pede que cantemos, que não nos deixemos derreter no calor abrasador dos nossos trabalhos (e atalhos) ... que chutemos o mau humor que traz esta crise (sem a esquecer, é certo)!


Numa esplanada lisboeta, já se bebeu uma cervejinha (péssima para o ânimo, pois pede mais a sesta!), mas cantemos qual Zeca e seus nostálgicos: há que animar a malta, vá lá!!


Aqui fica a letra, para cantar estilo karaoke (e porque não, mesmo no meio dos colegas?!)


Quando a corja topa da janela

O que faz falta

Quando o pão que comes sabe a merda

O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta

O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta

O que faz falta

Quando nunca a noite foi dormida

O que faz falta

Quando a raiva nunca foi vencida

O que faz falta

O que faz falta é animar a malta

O que faz falta

O que faz falta é acordar a malta

O que faz falta

Quando nunca a infância teve infância

O que faz falta

Quando sabes que vai haver dança

O que faz falta

O que faz falta é animar a malta

O que faz falta

O que faz falta é empurrar a malta

O que faz falta

Quando um cão te morde uma canela

O que faz falta

Quando a esquina há sempre uma cabeça

O que faz falta

O que faz falta é animar a malta

O que faz falta

O que faz falta é empurrar a malta

O que faz falta

Quando um homem dorme na valeta

O que faz falta

Quando dizem que isto é tudo treta

O que faz falta

O que faz falta é agitar a malta

O que faz falta

O que faz falta é libertar a malta

O que faz falta

Se o patrão não vai com duas loas

O que faz falta

Se o fascista conspira na sombra

O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta

O que faz falta

O que faz falta dar poder à malta

O que faz falta