quarta-feira, 22 de junho de 2011

Rua dos Correeiros




Lisboa é linda (como a Bica, repita-se) e hoje, por incrível que pareça fui a uma rua, em plena cidade, que nunca tinha ido: Rua dos Correeiros!



Escondida entre a da Prata e a Augusta, é turística quanto baste.



Oferecem-nos lugar para almoçar a cada minuto e vemos que muitos estrangeiros já se renderam. Tem um restaurante em cada porta, uma loja fechada em cada metro.



O restaurante "tipicamente português" tem empregados que não o falam, há chineses que comem caracóis e todos ouvem uma banda, em que, nem o aspecto, nem sequer a música, eram portuguesas.



A Baixa Lisboeta é assim, adoro ver estes aparentes contrassensos, esta mistura de mundos e contemplar aqueles prédios da Baixa. Cá em baixo, apetece-me subir àqueles prédios que devem ter vista de rio, subir as escadas de madeira, cheirar as muitas centenas de história. Dá-me vontade de comprar naquelas lojas, alguma coisa de que não preciso, mas que tanta gente já precisou.



Apetece-me pegar num pincel e pintar aqueles prédios, que aos turistas devem parecer "pitorescos" e a mim me parecem tristes. Cheios de pessoas antigas, muitas sozinhas, lojas onde ninguém já vai. Caras dignas de retratos, lojas do antigamente.



A rua dos Correeiros é apenas mais uma, digna de retrato, do antigamente.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Bica é linda!





Ié ié, a Bica é que é! Este podia ser o lema do fim-de-semana.

Tão cheio, tão agitado, que no Domingo pouco sobrou de energia!


Sexta jantar calmo, sangria deliciosa (com pepino!!) na esplanada do Torel e depois saltinho ao Lounge, para conversas e pouco mais.


Sábado: com o único objectivo de ir ao Chiado (quantas pessoas terão dito isso?) passou-se pelo pic-nic Tony Carreira!


A pé desde o Campo Pequeno, passou-se (por mero acaso, claro!) pela Av. da Liberdade e viu-se a fauna (muito variada, sempre colorida, com t-shirts alusivas) que foi ver os animais e as plantas "made in Portugal"!


Alguns kms depois, descanso das pernas na esplanada do Largo Camões e regresso a casa (a pé já só metade do caminho!).


Fim da tarde: já preparadas para tudo, voltar à Av. da Liberdade: ouvir três canções do Tony (quase derramar a lagrimita), vê-lo mesmo ali, dançar e fugir das câmaras!


A cantar a música do Tony, nova caminhada até Alfama (sardinhas algo secas, sangria com sabor a sumo) e, duas horas depois, rumo à Bica! A pé de novo, porque não?


Pelo caminho, nada mais nada menos que 5 arraiais! Todos diferentes, todos com direito a um pézinho de dança!


O primeiro tinha como tema, claramente, a aldeia (bigodes em meninos e meninas!).


O segundo: a cidade no seu melhor, com ritmo brasileiro (toda a gente tinha problemas nos dentes e muito brinco!).


O terceiro: ritmos africanos (kuduro ou kizomba!).


O quarto: internacional, com tons de tango (mas só de dançava no palco!).


Ponto de situação até ali: a subir de qualidade a descer de interesse!


Chegadas à Bica: numas escadas minúsculas, novo arraial e este tinha um pouco de tudo! Muita cantoria e alguma dança! O tema não se sabe, mas era bom e bonito!


Mas, heis se não quando, mais uns metros à frente, se encontrou o lugar perfeito! Mesmo o que se queria!


O sexto arraial: mesmo em frente a um clube do bairro, com a música perfeita de Santos Populares (desde pimba, a brasileira, passando pela portuguesas e a americana!) e um animador do alto da janela que ditava coreografias. Nada faltou! Dançou-se em comboio, não se recusou risos a estranhos e bebeu-se (alguma) cerveja.


Para finalmente descansar, sentar numas escadas, ao lado do eléctrico e apreciar as vistas!


Ver que se pode cortar o cabelo à 1 da manhã, que na Australia os cangurus matam mais que os tubarões e descrever a nossa cidade como a mais linda de todas!


E porque a noite era uma criança: dar uma chapada nos Santos Populares e acabar no Lux! Ver o terraço, gabar a maravilhosa cidade de Lisboa e treinar o inglês!


E assim se impõe, ainda hoje (48 horas depois) gritar: Ié Ié, a Bica é que é!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Liberdade




Quando se gosta, gosta muito.




E gosto muito dos novos quiosques da Av. da Liberdade. Adoro estar na artéria mais movimentada da cidade, ver os carros passar e, ao fim do dia, beber uma caipirinha ou uma cerveja.




Adoro estar bem acompanhada, ser atendida pelos empregados simpáticos e provar mais uma vez "o melhor bolo de chocolate do mundo".




Pequenas coisas da cidade, como estas, dão prazer a todos os lisboetas, que gostam, como eu, do Rossio, da Baixa, do Chiado e de tantas partes da cidade.




Este fim-de-semana vai-se comemorar os Santos Populares, "adiados" pela visita aos "Allgarves", onde se mergulhou em àguas claras, se comeu bolas de Berlim e se festejou os Santos com sardinha, sangria mas nenhuma música lisboeta!




Alfama, Graça, Bica? Quem sabe!?




Mas este fim-de-semana não nos escapa!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Devia era ter dormido mais ...




Devia ter dormido mais, muito mais.


A sexta-feira foi o começo: Bica, Bairro Alto e Lounge. Muita conversa, muita confidência, (muito) vinho verde e nenhum sono no dia seguinte!



Sábado, quatro meras horas depois de ir para a cama: olhos bem abertos e nada de sono!


Café pela zona do costume e coragem para ir cortar o cabelo! O carro, há já muito não conduzido, passeou pelas ruas da Baixa, pela Av. Vinte e Quatro de Julho, olhos nos turistas e um sol radiante.


O local: Motor Hairport: coragem, que há que mudar de ar.


Depois de se repetir até à exaustão a profissão, pedir contenção, saiu-se de lá de novo look! Com direito a reportagem fotográfica (pedida pela cabeleireira, claro!) e depois uma molha como há muito não se apanhava!


Chegar a casa, secar o que sobrava do penteado e desejar uma sesta! Mas ainda assim: nada de sono! Leituras, filmes e sondagens.


Passadas umas meras horas: jantar, cinema e pipocas! (As Amoreiras são ideal, pouco gente, preço acessível e cadeiras confortáveis).


Filme dificilmente escolhido: "A minha versão do amor", era suposto ser light, era o objectivo... mas não! Nada disso, o drama, as vidas desperdiçadas, e tanto que se lá queria meter e não coube! Ficou visto, mas não ficou recomendado. Mas mesmo assim não deu sono!


Visto que a excelente companhia (e mãe do bebé mais lindo do mundo!) também queria aproveitar mais a noite, fomos as duas às esplanadas da Av. da Liberdade. Problema: música boa, sim, mas não tão alta! Mesmo que a cerveja seja a € 1,5, mesmo que a noite seja de Verão, eu queria falar e a prima (parecia que) queria ouvir!


Uma hora e meia depois, o cansado fez-se finalmente sentir - a música ajudou - e já no início de Domingo chegou-se a casa, para finalmente dormir!


Manhã seguinte, ainda nem horas de se beber café eram e os olhos já estavam abertos!


Dia de eleições, dia de decisões, ao menos começa-se cedo! Assim foi: passeio até à Junta de Freguesia da Pena e votar em consciência.


Ainda sem se imaginar os resultados (não se comentam, não vale a pena!), era necessário arejar as ideias a seguir ao almoço! Passeio à beira rio, kms e kms de passos, conversas e mais conversas (não, nunca chega!) e, chegada a casa, 2 horas depois, e ainda sobrou tempo de nos prepararmos para o fim daquele dia que mudou (?) o país!


E ainda assim, mesmo dado os resultados, nada de sono, apesar de vitórias cinzentas e discursos chatos!


Saldo final: devia ter mesmo dormido mais, devia ter ido dormir às 8 da noite, só hoje devia estar de olhos bem abertos para esta nova realidade.



domingo, 29 de maio de 2011

Um domingo como outro qualquer



Domingo em clima tropical, calor, chuva, sol e nuvens.
Uma família sai sozinha, apenas 4, como há anos não acontecia e vai, simplesmente, passear por Lisboa.

Almoço no restaurante "Sea Me". Nada desilude, nada enjoa, tudo pede repetição. Desde o choco frito com tinta, às pataniscas ninja, às vieiras com molho de manga...! Vinho branco fresco e ambiente confortável, moderno, mas português ao mesmo tempo! (e o preço não incomoda muito a crise!)

Saídos dali, descida até à gelataria Santani para terminar o almoço com um gelado como sobremesa. 4 gelados todos diferentes, qual deles o melhor? (constataçã: limão e chocolate não é melhor que morango e chocolate!)

Porque ninguém queria parar, subida até ao Largo do Carmo, espreitadela até ao elevador de Santa Justa e depois visita ao Quartel do Carmo.

100 anos de GNR deram direito a um passeio pela história, com direito a ver a cadeira onde Marcelo Caetano "esperou" no dia 25 de Abril de 1974 e uma excelente vista sobre o Rossio.


Como ainda não chegava de passeio, continuação pelo Chiado, subida a Calçada do Combro e, com todos já mais cansados (pelo menos uma), chegada ao miradouro do Adamastor. Conversas à sombra, num banco com vista para o rio, até que o vento fez desistir.

Porque a companhia continuava a apetecer, passeio de carro pela marginal, com vista para o mar, sem rádio, só conversa e, passado uns minutos, direito a uma sesta, encostada no banco do carro, à moda antiga, só acordada mesmo à porta casa. (Se fosse uns anos antes, daria direito a ser levada ao colo!)

Domingo tranquilo, companhia ideal, vistas perfeitas e fim de dia retemperador... como tanto (ainda) se precisa!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dois filmes - árvores e cegueiras


A Árvore da vida e o Ensaio sobre a cegueira. Dois filmes muito esperados, finalmente vistos.


Falando do primeiro: demasiado lírico, poético... parado, porque não admitir!


O que lhe quiserem chamar, é escolher!


Ante-estreia cheia de famosos. Cinemateca com a esplanada mesmo a saber bem, cerveja fresca, uma bela tosta e a ânsia pelo filme.

Brad Pitt e Sean Penn, só eles seriam motivo bastante para ali estar.
Mas desenganem-se os que acham que os dois excelentes actores chegam para nos manter acordados, animados...



Findo o filme - numa sala excelente e a um preço fantástico de €2,5 - não houve posição unânime sobre o tema.


De que trata? Famílias, Deus, perda, morte? Tem momentos muito bonitos, imagens que fazem quase suspirar, mas usa e abusa do abstracto, deixando a cada um de nós demasiadas dúvidas, demasiado para divagar... talvez seja esse o objectivo.


Cada um de nós lida de forma diferente com a família e a perda. Cada um encontra as suas soluções. Talvez. Fica a divagação, ficam as imagens bonitas e o não saber, ainda, se se gostou ou não.

Ensaio sobre a cegueira.


Começando de pé atrás: livro demasiado apreciado, seria o filme minimamente justo?


Sabendo que o José Saramago chorou no fim, seria, à partida, um bom prognóstico.


Não desiludiu.


O livro foi lido há mais de 10 anos e a cada novo desenrolar as imagens do livro apareciam.


Os actores sem nada a apontar, a violência lá, explícita, mas claramente inferior à criada pela imaginação (com direito, na altura, a pesadelos!).


Mas quando o filme acaba, quando todo o caos amaina, assentimos naquilo: que não vemos as coisas, que nunca abrimos bem os olhos.


E como por lá se diz:
"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."






sexta-feira, 20 de maio de 2011

O amor é um lugar estranho



Porque o amor é um lugar estranho... vi o Lost in Translation.

Chegada a casa com uma dor de cabeça que teimava em não desaparecer, há que animar a alma e ver coisas bonitas. Revisto anos depois, deixa, no fim, um sorriso na boca, nem que seja por esta afirmação "tão simples":


Charlotte: I just don't know what I'm supposed to be.
Bob: You'll figure that out. The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you.


Espero mesmo que sim!